terça-feira, 30 de julho de 2013

Rosa

Para me amar é só começar, para manter-me em teu canteiro é só regar.
Estarei sempre bela rosa lá; até o dia em que não estarei mais.
As lágrimas em rosas murchas servem apenas para virar arte,
tocam a alma mas não reavivam a lenta morte.
Seca estarei aos poucos se teus ventos não me sacudirem,

seca estarei se teu sol e tua chuva em mim não mais tocarem.
Admirar é fácil, prender também, mas por pouco tempo,
pois meus espinhos te ferirão e minhas pétalas uma a uma cairão por entre teus dedos.
Cultive o amor como cultivas uma rosa.

É preciso paixão e maestria, paciência e ousadia.
A rotina morna mata lentamente e minhas queixas virarão prosa.
Ame-me com a fúria de um mar em dia de tempestade,

morda minhas costas como um leão faminto e me leve ao parque para sentar ao teu lado na grama.
Serei tua cúmplice de banheiro, companhia de cozinha, parceira de aventuras e tua amante na cama; a Deusa, a bruxa a mucama.
Esteja atento aos sinais, meu bem... Sinta meu corpo, meu beijo, decifre meu olhar. Estarei sempre exalando para ser cheirada, sempre rubra para ser notada, sacudirei cabelos e pétalas, dançarei ao som do vento para que me queiras, usarei a melhor seda para te celebrar.
Ame-me como sou, ame o melhor e o pior de mim, eu sei quem sou e não minto;

porque mentir para si mesma é como a rosa querer acreditar que não tem espinhos.

(Carolina Salcides)

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